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Foto: Natalia Alvarez Rojas

Mulheres Indígenas Lideraram a Marcha 8M na Costa Rica

11 março, 2026 | Natalia Alvarez

No dia 8 de março de 2026, a marcha em comemoração ao Dia Internacional da Mulher foi liderada por um grupo de mulheres representantes dos 24 territórios indígenas do país, provenientes dos oito Povos Indígenas da Costa Rica. Estes são: Huetar (em Quitirrisí e Zapatón), Maleku (em Guatuso), Bribri (em Salitre, Cabagra, Talamanca Bribri e Këköldi), Cabécar (em Alto Chirripó, Tayni, Talamanca Cabécar, Telire e China Kichá, Bajo Chirripó, Nairi Awari e Ujarrás), Brunca (em Boruca e Curré), Ngöbe (em Abrojos Montezuma, Coto Brus e Conte Burica, Alto de San Antonio e Osa), Brörán (em Térraba) e Chorotega em Matambú.

“Nossa presença na marcha foi para dar a conhecer esta organização e fortalecer a visibilidade da unidade entre mulheres indígenas, além de continuar promovendo que nossos direitos sejam aplicados de maneira eficaz e que nossas vozes sejam ouvidas a partir de nossas próprias perspectivas, ideias e propostas,” comentou Ileana Obando, representante do território Cabécar, Alto Chirripó.

A participação conjunta de todos os territórios marca um marco significativo. “É a primeira vez que mulheres dos oito territórios e nações originárias participam. São líderes que representam suas comunidades como mulheres e em seus territórios,” explicou Kemly Camacho, representante da cooperativa Sula Batsú.

 

“Também buscamos construir alianças e trabalhar em conjunto com organizações e instituições através do diálogo e da pertinência cultural, para fortalecer o trabalho das mulheres indígenas nos âmbitos educacional, cultural, social e político, bem como na defesa das águas e da terra,” continuou Obando.

A participação dessas mulheres é de grande valor, considerando que a logística para isso implica desafios significativos. Por exemplo, algumas delas precisam sair de suas casas na véspera, partindo às 2 da manhã, realizando caminhadas de várias horas para pegar um ônibus até a capital. Além disso, isso envolve custos associados às atividades econômicas e pessoais que deixam de realizar, destacou Camacho.

Elas realizaram danças acompanhadas por sua própria música, enquanto expressavam suas consignas relacionadas aos seus direitos, terra e território. Algumas dessas consignas incluíram: “Direitos baseados em nossa cosmovisão”, “A Costa Rica não é um país de paz; indígenas são assassinados em nome da propriedade privada” e “Eu marcho como mulher indígena que cuida da Terra, protege as sementes e defende a Vida”, entre outras.

A participação foi coordenada pelo coletivo Unidade Nacional de Mulheres Ditsä+8, “uma organização de unidade nacional de mulheres dos povos originários que busca visibilizar a liderança e a participação das mulheres indígenas. Nesta ocasião, contamos com o apoio da cooperativa Sula Batsú, com quem iniciamos um processo de cooperação que permitiu nossa participação nesta atividade,” comentou Obando.

O respeito aos direitos das mulheres indígenas continua sendo de especial relevância, assim como a reflexão sobre o que esses direitos significam a partir de sua cosmovisão. O dia 8 de março é um excelente momento para visibilizá-los.