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Syntopía e o “Huipil Digital”: Como proteger a identidade indígena diante da inteligência artificial

21 maio, 2026 | María Luisa Quenallata Estevez

Diante da invisibilização sistemática dos povos indígenas promovida pela inteligência artificial, Osvaldo Calle, membro da Associação lacommunis, propôs a “Syntopia”: um estado de equilíbrio em que a tecnologia potencialize os objetivos humanos em vez de substituí-los. Essa perspectiva foi apresentada no âmbito da apresentação de seu livro “O fogo sagrado e a inteligência artificial”, durante a primeira jornada do IV Fórum Internacional de Pluralismo Jurídico, Direito Próprio e Antirracismo, que se realiza na Universidade do Magdalena (Santa Marta, Colômbia) de 19 a 21 de maio de 2026.

A visão de Calle articula-se com a noção do “Huipil Digital”, uma metáfora que insta a “tecer” uma realidade própria utilizando a inteligência artificial como um fio resistente, mas guiado pelos valores e pela sabedoria ancestral. Por meio dessa abordagem, as comunidades não apenas salvaguardam seu patrimônio identitário, mas exercem soberania sobre sua própria transição tecnológica.

A valiosa contribuição desta obra para a defesa dos direitos e da identidade comunitária foi destacada, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, pelos comentaristas do livro: Juan Carlos Vargas Ruiz, antropólogo; Ana Delia Fernández Siijono, comunicadora social; e Cristian Rodríguez Martínez, advogado.

Por sua vez, Ricardo Changala, presidente da Associação lacommunis, denunciou a existência de um pluralismo jurídico antidemocrático e pediu que se derrubassem mitos tecnológicos, como a suposta infalibilidade e intangibilidade da IA. Ele argumentou que esses sistemas cometem erros e “deliram” em suas respostas, e que sua natureza é puramente material — e não virtual — devido ao consumo de água, energia e território; recursos que provêm, em sua maioria, de terras indígenas. O especialista compartilhou essa análise no âmbito do primeiro painel do fórum, intitulado “Direitos dos Povos Indígenas e Inteligência Artificial”.

O fórum encerra-se neste dia 21 de maio com o Diálogo Intercultural — Mesa Redonda “Diretrizes éticas para a governança intercultural da inteligência artificial a partir dos direitos dos povos indígenas, afrodescendentes e tribais”, a comemoração do Dia Nacional da Afrocolombianidade e a leitura das conclusões do evento.